O Brasil assumiu, pela primeira vez, a liderança mundial nas importações de veículos fabricados na China. Entre janeiro e maio de 2026, o país comprou US$ 5,2 bilhões em carros chineses, superando a Rússia.
O salto expressivo está diretamente ligado à corrida das montadoras e importadores para antecipar embarques antes do aumento das tarifas sobre veículos elétricos. Para saber mais detalhes, continue a leitura.
Como o Brasil chegou ao topo do ranking?
Os dados foram divulgados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) em junho de 2026, com base em números da alfândega chinesa.
Segundo o levantamento, o Brasil ultrapassou a Rússia, que ficou em segundo lugar com US$ 5 bilhões, seguida por Bélgica e Reino Unido, empatados com US$ 3,8 bilhões cada.
O resultado marca uma grande mudança em relação ao ano anterior: no mesmo período de 2025, o Brasil ocupava apenas a sexta posição do ranking, com US$ 2,1 bilhões importados.
Ainda de acordo com o CEBC, as compras de veículos chineses passaram a representar cerca de 15% de todo o valor importado pelo Brasil vindo da China no semestre.
Por que as importações dispararam?
A principal explicação apontada pelo CEBC é a antecipação de compras por parte dos importadores brasileiros, motivada pelo aumento gradual das tarifas sobre veículos eletrificados. A partir de 1º de julho de 2026, a alíquota passou a ser de 35%, contra os percentuais anteriores, que variavam entre 25% e 30%.
Além do fator tarifário, outros elementos contribuíram para o crescimento:
- A competitividade de preço dos carros elétricos chineses, principalmente nos segmentos mais acessíveis;
- A evolução tecnológica das montadoras chinesas e a ampliação da oferta de modelos voltados ao mercado brasileiro;
- A reorientação comercial das empresas chinesas, que passaram a priorizar o Brasil diante do aumento de barreiras tarifárias nos Estados Unidos e na União Europeia para veículos elétricos de origem chinesa.
O peso dos carros elétricos e híbridos
Boa parte do avanço se concentrou nos carros eletrificados. As importações brasileiras desse segmento somaram US$ 4,5 bilhões no período. Os números por categoria mostram a magnitude do movimento:
- Os híbridos plug-in dobraram de valor, somando US$ 2,79 bilhões nos seis primeiros meses do ano. Esses modelos saltaram da 25ª posição nas importações em 2025 para a sexta colocação em 2026, um crescimento de 239%.
- Os veículos totalmente elétricos quase quadruplicaram, atingindo US$ 2 bilhões no acumulado.
Somadas, as categorias superaram em mais do dobro o total importado da França no mesmo período, que ficou em US$ 2,6 bilhões, conforme a alfândega chinesa.

O que esperar para os próximos meses?
Segundo o CEBC, as compras brasileiras de elétricos, híbridos e híbridos plug-in mantiveram expansão contínua mês a mês desde março, sustentando o volume total mesmo diante da mudança tarifária.
A expectativa de especialistas do setor automotivo, com base nos dados da alfândega chinesa e do CEBC, é de que o novo patamar de importações possa se manter ao longo do ano, à medida que montadoras e importadores ajustam suas estratégias à nova política tarifária brasileira.
Ainda assim, a entidade projeta uma tendência de acomodação no ritmo de importações nos próximos meses, em razão do impacto direto da nova alíquota de 35% em vigor desde julho. Apesar disso, a avaliação é de que os veículos chineses devem consolidar um papel relevante no portfólio automotivo brasileiro.
O CEBC afirmou que continuará acompanhando a dinâmica entre oferta, demanda e tributação para atualizar sua análise ao longo de 2026.
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