A Baic planeja lançar seus primeiros veículos híbridos flex no Brasil em 2028, reforçando a estratégia da montadora chinesa de adaptar suas motorizações ao etanol utilizado no país. O primeiro SUV da marca desenvolvido para receber a nova tecnologia poderá ser o X55, modelo que também deverá ter prioridade nos planos de produção nacional e disputar espaço entre os utilitários esportivos médios.
O projeto dos motores inéditos flex da Baic está sendo realizado pela engenharia da empresa em parceria com a Bosch. A tecnologia tem conclusão prevista para 2027, mas só será incorporada aos veículos da fabricante no ano seguinte, em razão do período obrigatório para homologação técnica no Brasil. A informação foi confirmada por Oswaldo Ramos, chefe de operações da Baic no país, em entrevista à CBN Autoesporte.
A Baic pretende atuar em diferentes nichos do mercado brasileiro já a partir de 2026, quando iniciará suas vendas. O portfólio será composto apenas por carros eletrificados, incluindo veículos elétricos puros, híbridos convencionais (HEV) e os inéditos híbridos flex.
Primeiro SUV da marca
O X55 poderá ser o primeiro modelo equipado com o sistema híbrido flex, reforçando a tendência de adaptações tecnológicas para o mercado brasileiro. Trata-se de um SUV médio com 4,62 metros de comprimento, 1,89 m de largura, 1,68 m de altura e 2,74 m de entre-eixos, pronto para concorrer com Caoa Changan CS75, Jeep Compass e Toyota Corolla Cross.
No exterior, o conjunto motriz do Baic X55 combina um motor 1.5 turbo a gasolina da linha Magic Core, que entrega 177 cv e 31,1 kgfm, acoplado a uma máquina elétrica. O câmbio automatizado é de dupla embreagem com sete velocidades. Para o Brasil, a alternativa flex está em desenvolvimento, mas a expectativa é de que agregue todas as tecnologias dos híbridos e maximize o aproveitamento do etanol na operação.

Imagem: Reprodução/Baic

Imagem: Reprodução/Baic
Panorama dos elétricos e híbridos da Baic no Brasil
Antes do lançamento dos híbridos flex, o mercado brasileiro receberá os elétricos Arcfox T1 e T5 ainda em 2026. O hatch T1 foi desenhado para concorrer com BYD Dolphin, Geely EX2 e MG4 Urban, medindo 4,34 m de comprimento, 1,86 m de largura, 1,57 m de altura e entre-eixos de 2,77 m. A bateria tem 42,3 kWh e o motor elétrico dianteiro é de 95 cv, entregando autonomia de até 425 km no padrão chinês.
O T5, por sua vez, entra na disputa entre SUVs médios eletrificados, com 4,69 m de comprimento, 2,85 m de entre-eixos e bateria de 74,4 kWh, além de 272 cv de potência dianteira e ciclo estimado de 660 km. Ambos os modelos inauguram a presença da Baic na categoria dos elétricos urbanos no Brasil.
Adaptação ao etanol: tendência entre as montadoras chinesas
A adesão ao etanol por fabricantes chinesas responde tanto à matriz energética brasileira quanto aos incentivos federais para a redução de emissões. Marcas como BYD e GWM já produzem híbridos flex no país, o que impulsiona a Baic a seguir o mesmo caminho para aumentar sua eficiência energética e adequação ao mercado local.
O etanol, presente em larga escala na gasolina brasileira, favorece a redução de custos de logística e manutenção, além de proporcionar segurança técnica no funcionamento dos motores adaptados. O programa federal Mover estimula iniciativas do tipo, valorizando alternativas mais limpas que se encaixam nos esforços de descarbonização nacionais.
Fábrica nacional e projetos futuros até 2028
Durante o Festival Interlagos em agosto, a Baic confirmou que planeja nacionalizar sua produção até 2028, buscando parcerias ou unidade própria. O objetivo é replicar modelos de operação como o sistema “peça a peça” adotado por GWM, o que reforça o compromisso da empresa com o desenvolvimento industrial brasileiro.
O plano da Baic inclui a oferta de 10 novos carros no mercado nacional até 2028, cobrindo categorias de elétricos e híbridos. Destes, seis veículos serão vendidos na faixa de R$ 100 mil a R$ 200 mil, a mais relevante do cenário automotivo atual brasileiro, segundo o Autoesporte.
Tecnologia, descarbonização e novos modelos previstos pela Baic
A estratégia da Baic para o mercado brasileiro vai além da venda de veículos e também busca acompanhar as metas ambientais do país. A chegada dos híbridos flex, aliada à eletrificação da linha e aos planos de produção local, coloca a fabricante em uma trajetória voltada à eficiência energética, inovação e redução de emissões.
Além do desenvolvimento das novas motorizações, a Baic aposta em parcerias com fornecedores de tecnologia, entre eles a Bosch, para criar soluções adaptadas às características do mercado brasileiro e ao uso de combustíveis disponíveis no país.
Com a chegada de novos modelos eletrificados até 2028, a marca pretende ampliar a oferta de veículos com menor consumo de combustível e níveis reduzidos de emissão, contribuindo para a expansão da tecnologia automotiva no Brasil.
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