No fim da tarde de ontem, 5 de agosto, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil confirmou o encerramento da greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade após assembleia presencial. A decisão favorável ao retorno ocorreu após análise da proposta apresentada em audiência de dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2).
A paralisação atingiu quase um milhão de passageiros diariamente na capital e Grande São Paulo e havia começado à meia-noite de 4 de agosto, impactando intensamente o sistema de transporte metropolitano paulista.
“A deliberação ocorre após o governo do estado apresentar uma proposta que contempla avanços nas reivindicações da categoria, especialmente em relação às garantias buscadas pelos ferroviários durante o processo de concessão. Apesar da suspensão do movimento paredista, a categoria permanecerá em estado de greve, acompanhando atentamente o cumprimento dos compromissos”, disse o sindicato, em nota.
Quais foram as principais reivindicações dos trabalhadores?
A principal motivação para a greve foi a insegurança dos funcionários quanto à transferência das linhas 11, 12 e 13 para a operadora Trivia Trens, resultado de concessão realizada em julho. Os trabalhadores cobraram maior clareza sobre garantias de emprego e condições de trabalho após o processo de privatização.
O sindicato destacou, em nota, que buscava mais transparência no processo e melhores condições para toda a categoria, principalmente a inclusão de todos os empregados ligados a essas rotas, inclusive da linha 10-Turquesa e de áreas administrativas, no pacote de proteção trabalhista.

Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil
Como foi definida a proposta?
O governo de São Paulo se comprometeu a encaminhar um projeto de lei para permitir que funcionários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade sejam incorporados por órgãos ou entidades da administração pública estadual. A medida ficou condicionada à retomada imediata e completa da operação.
Após o anúncio, o sindicato informou que levaria a proposta à votação dos trabalhadores e solicitou garantias formais da CPTM e do governo sobre a preservação dos empregos.
Segundo a ata da audiência, a companhia declarou que os funcionários continuam integrando seu quadro e poderão ser transferidos futuramente para outros órgãos estaduais, caso o projeto seja aprovado.
Os representantes sindicais também pediram que a proposta inclua os empregados da Linha 10-Turquesa e os profissionais da área administrativa.
Caso a proposta não fosse aprovada e a paralisação continuasse, a Justiça ampliaria o percentual mínimo de trens em circulação e elevaria a multa diária para R$ 5 milhões. Uma nova audiência também ficou agendada para 19 de agosto de 2026, às 17h.
Quais foram os impactos imediatos nos terminais e operação?
Logo após o anúncio do fim da greve, a movimentação nas estações afetadas voltou a crescer, principalmente na Estação Engenheiro Goulart, na zona leste. Por volta das 18h30, houve correria e tumulto, com passageiros tentando embarcar rapidamente nos primeiros trens reativados na Linha 12-Safira.
Relatos também apontam empurra-empurra, pessoas pulando catracas e tumulto no acesso ao sistema de ônibus Paese, utilizado durante a paralisação. Em cerca de 30 minutos, o fluxo se estabilizou e o atendimento foi restabelecido, com normalização total das operações até as 19h entre Brás e Calmon Viana.
O que prevê o compromisso do governo em relação aos empregos?
O governador Tarcísio de Freitas anunciou que, além do instrumento jurídico vigente desde 2020, enviará um projeto de lei específico à Alesp garantindo a absorção de todos os funcionários das linhas 11, 12 e 13 — incluindo, após discussão judicial, os empregados da linha 10-Turquesa.
Quer ficar por dentro de mais informações como essa? Continue de olho no portal Rei do Trânsito.














