O aumento do teor de etanol na gasolina brasileira impactou a autonomia de veículos híbridos não flex. De acordo com testes do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), a mistura E30, com 30% de etanol, apresentou desempenho inferior à antiga gasolina E27, com redução de 8,2% na autonomia urbana dos modelos avaliados.
Nos testes, o híbrido plug-in Q12 registrou queda de 19,6 km/l com E27 para 18,0 km/l com E30 no uso urbano. Já o modelo híbrido convencional Q14 passou de 19,5 km/l para 18,7 km/l.
A redução ocorre porque o etanol possui menor quantidade de energia por litro em comparação à gasolina. Dessa forma, o motor precisa consumir uma quantidade maior de combustível para entregar desempenho semelhante.
Além da perda de eficiência, especialistas destacam dúvidas sobre possíveis efeitos do aumento do etanol na durabilidade de componentes de veículos movidos somente a gasolina, já que avaliações sobre corrosão e desgaste interno não foram concluídas antes da mudança.
Consequências: riscos de corrosão e desgaste
O etanol presente em maior proporção absorve mais umidade, elevando a tendência de água no sistema e acelerando processos de corrosão em bombas, bicos injetores e outras peças metálicas. Segundo o estudo do IMT, os testes não avaliam esses efeitos a longo prazo, pois o governo dispensou tal exigência na fase de implantação da E30.
Os eventos de corrosão e ferrugem são mais prováveis em veículos projetados apenas para padrões internacionais, usualmente preparados para gasolina com 10% a 25% de álcool.
Em motores híbridos urbanos, a operação frequente em baixas temperaturas e curtos trajetos favorece ainda a contaminação do óleo do cárter por combustível, tornando-o mais fino e reduzindo sua capacidade de lubrificação. Isso pode aumentar o desgaste interno das peças, principalmente em situações crônicas de uso urbano intenso.

Imagem: José Cruz/Agência Brasil
Garantia, exigências técnicas e impasses para donos de híbridos não flex
A obrigatoriedade da gasolina E32 nos postos brasileiros trouxe dúvidas sobre a cobertura de garantia de veículos importados, já que alguns manuais de fabricantes estabelecem limites de até 25% de etanol na composição do combustível. O cenário criou incertezas sobre a resistência dos componentes e a responsabilidade em eventuais reparos.
A Anfavea solicitou esclarecimentos às montadoras sobre a durabilidade das peças e a manutenção das garantias. Já a Abeifa defendeu análises mais detalhadas antes da adoção de novos aumentos no percentual de etanol.
Na prática, proprietários podem enfrentar dificuldades caso problemas no sistema de combustível ou danos por corrosão sejam relacionados ao uso da nova mistura, gerando possíveis conflitos entre consumidores e concessionárias.
Como as montadoras responderam ao novo desafio?
Montadoras como GWM e BYD passaram a investir na adaptação de seus veículos para a tecnologia híbrida flex, que permite o uso de gasolina e etanol em diferentes proporções. No caso do Haval H6, a GWM implementou componentes específicos, incluindo bombas e injetores mais resistentes ao álcool, além de sensores capazes de identificar a concentração de etanol no combustível.
As informações coletadas são enviadas ao sistema eletrônico do motor, que ajusta automaticamente o funcionamento do veículo conforme a composição do combustível. A evolução dos modelos híbridos flex mostra que a mudança envolve desafios técnicos de engenharia e não apenas uma estratégia de mercado.
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