A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) suspendeu os testes com radares de velocidade média que haviam sido autorizados em rodovias federais concedidas.
A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) pela Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (Surod). Ela interrompe um projeto que ainda estava em fase experimental e não gerava multas aos motoristas.
Como foram os testes e por que foram suspensos?
A autorização para o início dos experimentos em condições reais foi concedida em meados de setembro. As concessionárias começaram a instalar e colocar os equipamentos em funcionamento poucos dias depois.
No entanto, a operação durou pouco tempo; menos de uma semana após o começo efetivo dos testes, a ANTT decidiu interromper o processo.
A ANTT não detalhou os motivos específicos que levaram à suspensão, mas informou que serão feitos ajustes técnicos, procedimentais e operacionais no sistema, com foco na sinalização das vias e na comunicação com os condutores.
Os atos oficiais determinam que a implementação fique parada até que a Surod se manifeste novamente. Isso significa que o projeto não foi cancelado, apenas colocado em compasso de espera.
Como funciona o radar de velocidade média?
Ao contrário dos radares tradicionais, que registram a velocidade do veículo em um único ponto da estrada, o novo modelo utiliza dois pontos de captura ao longo do trecho monitorado.
O sistema calcula o tempo que o carro leva para percorrer a distância entre esses pontos. A partir disso, estima a velocidade média mantida durante o trajeto.
Essa lógica torna ineficaz a prática comum de reduzir a velocidade apenas nas proximidades do equipamento e acelerar logo depois. Todo o percurso passa a ser considerado na fiscalização, e não apenas o ponto onde a câmera está instalada.
Em quais rodovias os equipamentos estavam sendo testados?
O projeto piloto abrangia trechos concedidos em oito estados do país:
- Espírito Santo;
- Goiás;
- Mato Grosso do Sul;
- Minas Gerais;
- Paraná;
- Rio de Janeiro;
- Rio Grande do Sul;
- Santa Catarina.
Um dos pontos mais emblemáticos era a Ponte Rio-Niterói, ligação entre a capital fluminense e o município de Niterói. O trecho reúne grande volume diário de veículos e uma extensão relativamente longa e contínua.
Essas características eram consideradas favoráveis para avaliar o comportamento dos motoristas ao longo de toda a via, e não apenas em um ponto isolado.
Os radares poderiam gerar multas durante os testes?
Não. Durante a fase experimental, o sistema não tinha autorização para aplicar penalidades. A finalidade era exclusivamente avaliar a precisão das medições e o funcionamento dos equipamentos em situações reais de tráfego.
A ANTT garantiu que nenhum motorista chegou a ser autuado ou penalizado durante o período em que os equipamentos estiveram em operação.
Atenção: a suspensão não afeta a fiscalização já existente nas rodovias. Os radares convencionais continuam funcionando normalmente, e as multas por excesso de velocidade seguem sendo aplicadas como antes. O que está paralisado é apenas o projeto experimental de velocidade média.

Quando os testes devem voltar?
A ANTT não estabeleceu uma data para retomar os experimentos nem um prazo para concluir os ajustes solicitados.
A agência informou apenas que, após revisar os pontos técnicos e operacionais pendentes, pretende divulgar os próximos passos do projeto.
Até essa definição, os radares de velocidade média permanecem fora de operação e sem qualquer impacto sobre a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ou o bolso dos motoristas.
A iniciativa integra ações de segurança viária vinculadas a um compromisso internacional de redução de mortes e lesões no trânsito, o que sugere que o tema deve continuar na pauta da agência mesmo com a pausa atual.
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